sábado, 16 de janeiro de 2016

[Resenha] Os 13 Porquês, de Jay Asher

Pois bem, já vou deixando bem claro que ainda não sei se amei 13 Reasons Why (Os 13 Porquês) ou odiei. Nem sei muito bem o(s) motivo(s), apenas aconteceu. Sabe quando você lê um livro e simplesmente não consegue se decidir sobre ele? Exatamente, mas vamos lá: Uma garota, Hanna Baker, se matou. Simples assim. Na verdade, nem tão simples: ela deixou para trás 7 fitas (daquelas antigas da época de nossos pais mesmo, pra quem tem dúvidas, é essa da capa), todas contendo gravações de Hanna, onde ela explica aos ouvintes - surpresa! - os 13 motivos que a levaram a cometer suicídio. Cada fita com dois lados, A e B, com exceção da última, que só possui o lado A, e a cada lado narrado por Hanna ela conta um por um todos os motivos que sempre envolvem alguma pessoa. E a melhor parte (pelo menos para mim) é que todos os envolvidos nas fitas têm que ouví-las. Uma última vingança pessoal, talvez? Eu achei que sim, e amei, mas cabe a cada leitor decidir. "Mas, Jay, se ela se matou, como pode ter certeza que as fitas serão ouvidas e repassadas pelos treze?" Boa pergunta, caro leitor. Acontece que, logo no começo da primeira fita, ela deixa bem claro que se não repassarem as fitas, elas serão enviadas para a imprensa, polícia ou algo assim (desculpa, memória péssima), e, acredite em mim, nenhuma das 13 pessoas quer que isso vaze, afinal, todas elas tem uma parcela de culpa no suicídio da jovem (sem falar que os fatos narrados por ela podem até causar a prisão de algumas das 13 pessoas). "Mas, voltando ao início, como toda essa trama louca se desenrola, Jay?" Outra ótima pergunta, se quer saber. Vamos à resposta: Todo o livro é narrado por dois personagens, Clay, o colega de classe de Hanna que é o detentor das fitas no momento, e Hanna. A trama já se inicia com Clay repassando as fitas para o próximo da lista (elas devem ser repassadas na ordem de aparição descrita por Hanna, no caso o primeiro motivo é o primeiro da lista, e o último seria o último a ouví-las, deu pra entender?), mas o autor logo volta no tempo, para o momento onde Clay está chegando em casa após a escola e encontra as fitas eperando por ele. A partir daí ele começa a ouvir as fitas, louco para saber em qual posicão da lista ele se encontra e qual sua participação na história. Quando ele dá play na primeira fita, a história começa a ser narrada pela Hanna, mas a narração de Clay sempre reaparece aqui e ali, no que podemos chamar de reflexões e/ou interlúdios. Não vou mentir, é uma obra de tirar o fôlego. Não dá pra parar de ler até que você finalmente descubra qual a participação de Clay nisso tudo, já que somos contagiados pelo seu nervosismo e ansiedade, e, quando chegamos nessa parte, já estamos loucos para saber o final. Basicamente, dá pra ler o livro todo numa noite (ou numa tarde, no meu caso, já que ele é bem pequeno, o que rendeu ao autor pontos comigo, que estava cansado de livros enormes. Indireta para R. R. Martin aqui), assim como Clay ouve todas as fitas numa noite só. A escrita é muito bem elaborada (ao meu ver) e é um daqueles livros que consegue tratar de muitos temas atuais (depressão, bullying, sexo, estupro), ao mesmo tempo, e sem se perder ou ficar cansativo. Mais pontos para Jay Asher aqui. E para encerrar (talvez o que vier a seguir seja considerado como spoiler, pra quem não gosta ou não quer ler, a resenha acaba aqui. Sério, depois não venham reclamar): os meus 13 porquês de não tê-lo amado completamente. Mentira, são só dois mesmo (ha!). Primeiro: sim que terminei de ler eu comecei a remoer cada um dos 13 porquês, e uns dois ou três simplesmente não me desciam bem... Eu não conseguia entender como aqueles acontecimentos poderiam influenciá-la na decisão derradeira de acabar com a própria vida. Mas, numa conversa com minha amiga que também leu o livro (Lana, estou falando de você), ela me ajudou a compreender como esses ocorridos se encaixavam no geral. Um enorme obrigado para ela aqui, já que, sem ela, eu provavelmente teria odiado completamente esse belo livro. Segundo (e vale destacar que o que se segue é MINHA opinião, sem querer ofender a ninguém que pense de maneira diferente. Sem falar dos SPOILERS.): Algumas pessoas, sem querer citar nomes (CLAY), poderiam (PODERIA) ter ajudado ela (VOCÊ MESMO SEU IDIOTA!). Oportunidades não lhe faltaram. Ele falhou em tentar se aproximar dela para que ela confiasse nele o suficiente para compartilhar seus sentimentos. E é justamente por isso que ele entrou na lista. Na dela e na minha. Mas, se você, caro leitor, chegou até aqui, não pense que eu o odiei. Bom, talvez um pouco, mas quem nunca? Pois é, essa resenha ficou bem bipolar né? Mas a vida é assim mesmo. Talvez (e.e') eu tenha revelado muitos spoilers, mas garanto que quem procurar ler não vai se arrepender de jeito nenhum. Se vocês acham que eu falei muita coisa aqui, tem muito (ênfase em muito) mais que ficou de fora, esperando ser descoberto por vocês.

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