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domingo, 10 de abril de 2016

[(Última) Resenha] O Oceano No Fim Do Caminho, de Neil Gaiman

Como (quase) sempre, achei que esse livro era sobre uma coisa, e ele é completamente diferente. Mas, ao contrário de (quase) todas as outras vezes, isso não me desestimulou ou me impediu de devorá-lo em menos de 24 horas (que foi o que aconteceu).
Quando eu vi o título e a capa, antes de ler a sinopse, eu pensei que uma garota se matava ou algo do tipo. Depois de ler a sinopse, um tanto misteriosa e sombria, eu fiquei um pouco mais interessado. Vi que muitas pessoas, apesar de gostarem do livro, se decepcionaram; realmente, capa/título/sinopse nos fazem achar que o livro segue uma linha mais sombria com muito suspense e mistério. Vamos deixar algo bem claro: o livro em si é de pura ficção fantástica.
Não quero revelar muito desse livro, esse é daqueles que você sabe que é bom quando você o acaba e pensa que o amou completamente. Ou odiou. Se um livro é capaz de despertar até mesmo ódio em você, é porque ele é dos bons.
Então, um homem, que em momento algum nos diz seu nome, em seus quase cinquenta (todos dizem que ele tem lá seus quarenta e poucos, mas se você ler o livro, vai saber que ele tem no mínimo 47. Por que isso é relevante, Jay? Por nada, só comentando.), após sair de um velório, não sabe-se de quem, se vê inexplicavelmente atraído pela velha fazenda Hempstock, pouco mais de um quilômetro de distância da casa onde ele viveu por 5 anos. Ao chegar lá, ele segue para o lago - oceano -, onde se lembra de todas as coisas estranhas (e, devo dizer, fantásticas) que aconteceram com ele quando ele tinha 7 anos, e conheceu as três Hempstocks que moravam naquela fazenda. O livro, então, narrado pelo homem cuja identidade desconhecemos, passa a nos contar o que de fato aconteceu na cidadezinha de Sussex, nos anos 1960 (ou 1970, esqueci, perdão).
Isso é tudo o que vou falar sobre a trama. Sério. Sobre a escrita; no começo eu me vi confuso em como uma criança de 7 anos poderia narrar todos aqueles fatos de maneira tão "culta", mas aí lembrei que, na verdade, quem está narrando tudo é o menino, só que quatro décadas mais velho. Enfim, a escrita é deliciosa, e o livro é curto, o que nos proporciona a possibilidade de ler o livro todo em algumas horas. Eu comecei a lê-lo de madrugada, então tive que parar para dormir. Ah, e um conselho, que me foi dado pela minha amiga Lana; não leiam (se forem ler) num espaço muito longo de tempo. Sabe quando você lê um pouco, aí para por um tempo, depois volta... e assim vai? Então, não façam isso, a leitura pode ficar confusa, visto que, a trama em si já é bem confusa. Se vão mergulhar nesse oceano, que seja de uma vez só (entenderam a referência? Ha ha).
Não me resta muito mais a falar sobre este livro, além de; Leiam. E se deliciem.
Então, essa foi a minha última resenha (e último post) nesse blog (e em qualquer outro). Foram muitos anos aqui (5? acho que foram 5), muitas oportunidades de compartilhar com vocês o amor que sinto por livros (e filmes, e música, e um cadinho de tudo), e por isso; obrigado.
Ninguém mais lê esse blog, é verdade. É triste, e muito. Mas ele sempre esteve aqui quando quis compartilhar com alguém minhas opiniões (e frustrações) acerca de um livro. Pode até parecer clichê; eu confesso que nem dava mais tanta importância para o blog desde meados de 2014 pra cá, mas aqui estou, escrevendo esse meu último texto, e relembrando os tantos momentos da minha vida que se relacionam com este blog. E foram muitos. Os livros que ganhávamos das editoras/autores (saudades livros de graça), os livros que eu pegava emprestado pra poder resenhar aqui, os livros que eu achava chato, mas tinha que ler e resenhar pra manter alguma parceiria (não sentirei falta disso, confesso), e, mais recemente, todas as vezes que eu ficava desesperado por não encontrar os e-books de livros que eu queria muito ler. Além de todas as horas de minha vida que passei escrevendo textos e mais textos, mas que não poderiam ser mais bem gastas; lembro do prazer e orgulho quando contei para minha mãe que eu era (co-fundador, sim!) escritor de um blog que mantinha com minhas melhores amigas (acho que nem elas vão ler isso)... Foram bons momentos, foram bons anos. Foi um imenso prazer (CLICHÊ ALERT!) crescer e amadurecer junto desse blog, que, agora finalmente percebo, é muito mais do que isso. Esse blog, antigo Funhouse S. A., atual Bosque Entre Mundos, se tornou o meu Oceano (referência pra quem ler o livro). Enfim, à todas as pessoas que nunca sequer vão ler esse texto de despedida de um autor que elas nunca vão conhecer: Obrigado.
Com amor, sempre;
Jay.

quarta-feira, 16 de março de 2016

[Resenha] Mundo Novo, de Chris Weitz

"Uma arma biológica matou todos os adultos e crianças. Todos. O mundo (pós-apocalíptico) está um caos, todos os adolescentes (misteriosamente imunes ao ataque, mas só até completarem 18 anos, aí morrem também) se dividiram em tribos, que vivem em constante conflito entre si. Jeff, Donna e seus amigos e não-amigos partem numa busca pela cura, enquanto procuram, também, descobrir o que realmente aconteceu. E eles não possuem muito tempo... "
Essa seria a minha sinopse para esta bela obra (Olha essa capa, gente, que linda. Uau.
Enfim, deu pra sacar bem o plot central, né? Então vamos nos aprofundar mais um pouquinho; uma arma biológica desconhecida matou todos os adultos e crianças. Tá, Jay, isso eu já entendi. Okay, mas por quê apenas adultos e crianças? Pra falar a verdade, eu não entendi muito bem. Aliás, entendi, mas não sei explicar, mas vou tentar; o vírus (ou bactéria, ou sabe-se-lá-o-quê) age numa determinada área do corpo (a palavra específica me escapou, lamento), e, tal área é meio que "desativada" naturalmente quando entramos na adolescência, portanto dá pra entender bem como o vírus (ou seja-lá-o-que-for) age, certo? Ou não? Acontece, leitores, que, ao saírmos da adolescência, entrando na vida adulta, tal área é reativada, e, com ela, o vírus (ou seja-lá-o-que-for) também é ativado. Pra resumir; todos morrem por causa da tal bio-arma (essa palavra existe?), os adolescentes só tiveram o azar de viver um pouco mais.
Morrem bilhões de pessoas, meses se passam, e agora nos encontramos em Nova York. Lá, conhecemos a tribo da Washington Square Park, onde vivem os personagens principais; Jeff, Donna, Crânio, Peter e Minifu (quê?).
Pra simplificar e não dar spoiler; Crânio, que como o nome sugere, é super inteligente, e se acha capaz de encontrar uma cura para a (vamos chamar leigamente de) doença. Existe um artigo na biblioteca pública que explica como surgiu a "doença", e como ela age. Crânio precisa desse artigo se quer tentar achar uma cura, logo ele pede a Jeff para ir atrás do tal artigo. Jeff aceita. Com eles, também vão Donna (melhor amiga de Jeff, e que não retribui o amor do moço por ela), Peter (amigo de Donna e Jeff, negro e gay -parece inútil apontar isso, mas não é, acreditem), e Minifu (o pai dela era chamado de Sifu, uma palavra em alguma língua que esqueci ~perdão~ para mestre. Ela queria ser chamada de Sifu como seu pai, mas, por seu tamanho, acabou sendo Minifu mesmo, haha).
Os cinco, então, embarcam nessa busca (qual a melhor palavra?) louca atrás de respostas, e, quem sabe, uma cura. Nem preciso dizer que tudo dá errado e eles se dão bem mal, né? Pois é, surprise surprise. E quem acha que esse é só mais um livro chatinho sobre angústias adolescentes está bem errado! Pode apostar num livro cheio de mortes, tiroteios e sátiras engraçadas sobre a vida que nós (sim, você também) levamos.
A narração é feita por Jeff e Donna, com diferenças mais que visíveis entre os dois; Jeff é mais "culto", se preocupa sempre em narrar da melhor maneira possível, enquanto Donna só liga mesmo pra contar a história. Os capítulos narrados por Jeff são mais "trabalhados", não que os de Donna não sejam, mas, ao meu ver, Jeff parece querer contar tudo perfeitamente, enquanto Donna só se importa em repassar a história (acho que repeti a mesma informação, mas que mal tem, não é mesmo?). Enfim, a escrita é deliciosa, e as diferenças entre as narrações ajudam bastante a montar um perfil mais realístico dos personagens.
Me agradei muito com a leitura de Mundo Novo, quero logo ler a continuação. Os livros (Mundo Novo e Nova Ordem) foram publicados no Brasil pela editora Seguinte (<3), aliás, o terceiro e último volume da trilogia (terceiro e último, ah vá) deve sair ainda esse ano lá fora, sem previsão para lançamento aqui no Brasil. Este é o primeiro romance do autor, mas podem botar fé! Esse carinha dirigiu Crepúsculo e A Bússola de Ouro (melhor filme <3, resenha do livro sairá algum dia, ou não, não sei se faço), e já foi até indicado ao Oscar.

sábado, 5 de março de 2016

[Resenha] Águas Turvas, de Helder Caldeira

Bom, digo logo de cara que o livro é bem diferente do que eu estava esperando! Vejam bem, todas as sinopses e resenhas que vi por aí sempre falavam, basicamente, a mesma coisa. Aquele plot (nem tão) típico de "garoto encontra garoto, garotos se apaixonam, garotos ficam juntos". Já fiquem sabendo que isso não é nem a ponta do iceberg.
Há, sim, um romance entre Justin Thompson e Gabreil Campos... Mas os dois são apenas parte do núcleo principal; não OS principais, como fui levado a acreditar.
Se eu fosse criar uma sinopse pra esse livro, ela seria algo do tipo: "Imagine uma família perfeita. A mãe é dedicada e todos a adoram, o pai é trabalhador e se sacrificou durante toda sua vida para criar seus filhos, cada um dos três filhos é perfeito, cada um com seus méritos e qualidades de dar orgulho a qualquer pai! Bem... Agora apaguem essa imagem, porque isso não é o que você vai encontrar aqui."
Deu pra entender a sacada central? Não? Aqui vai: A trama foca numa família, Os Thompsons; Cathy, a mãe, Edward, o pai, Ethan, Justin e Nicole, os filhos. Há também Helen, esposa de Ethan, a irmã de Edward, Mildred, e seu marido John. E, claro, Gabriel. Acontece, caro leitor, que cada uma dessas pessoas possui um segredo. Não, nada de Pretty Little Liars aqui, esses segredos são obscuros e pronfundos, alguns ficam claros logo no início, outros, só no desenvolver da trama, ou no final. A família até parece perfeita... Nas primeiras páginas em que aparece; depois disso (como diria Melanie Martinez), podemos ver através das cortinas, e o que vemos quebra completamente a imagem imaculada de perfeição.
(PARA EVITAR SPOILERS, AVANCE PARA O PRÓXIMO PARÁGRAFO) A mãe, quarenta anos atrás, tomou uma decisão que a afeta até hoje... E ela pode se arrepender disso. O pai tem dois esqueletos no armário, e eles estão prestes a aparecer para assombrá-lo. O filho mais velho... Esse não é  nem de longe, é o marido/filho ideal, e sua esposa não é muito diferente dele (raro caso onde os iguais se atraem, talvez?). A filha mais nova acaba se envolvendo com alguém, mas esse tal alguém é mais velho, e, para piorar, professor da moça. Gabriel, coitado, esse nem teve escolha na hora de se envolver na teia de segredos; foi sem querer mesmo, mas, o que ele descobre sobre essa família é capaz de fazer toda ela desmoronar, afetando severamente Justin, por quem passa a nutrir sentimentos. O Justin... Esse é o "herói" da trama. Não fez nada de errado, não esconde nada... O azar dele é que todos os segredos dos outros parecem afetá-lo diretamente.
Ao longo da trama, vamos descobrindo uma "teia de conexões"; tanto entre os segredos, quanto entre os personagens, que ajuda a criar um certo mistério em descobrir o que cada um esconde, e como isso afeta aqueles a sua volta. Confesso que me surpreendi, afinal, achei que estava lendo sobre um casal de rapazes, e sua jornada até ficarem juntos. Mas, como já disse acima, eles são apenas duas peças num complicado jogo de xadrez onde todos parecem predestinados a perder...
O autor soube desenvolver bem a trama, mas fiquei com ódio dele em algumas partes; muitas vezes, ele para a história num momento crucial, e joga outra cena no meio (os tão famosos cliffhangers), e são muitos! Mas, apesar disso, a leitura é deliciosa, eu mesmo devorei o livro em algumas horas. Sobre o final: encaixou certinho com a trama, ao meu ver, cada personagem teve o final que merecia... Sendo esse final triste ou feliz. Aliás, parabéns para o autor, Helder Caldeira, e a editora, Quatro Cantos, pela coragem em publicar um livro com temática LGBT num cenário onde a homofobia parece estar em "alta", precisamos de mais autores/editoras assim, no cenário nacional e no internacional, afinal, #LoveWins.
Agora é com vocês: olhem por trás das cortinas, mas cuidado com o que vão ver lá.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

[Resenha] Boneca de Ossos, de Holly Black

(Um beijo pra Tay, que me emprestou o livro <3) Poppy, Zach e Alice são melhores amigos desde sempre, e estão sempre brincando de faz de conta, mesmo já tendo 12 anos. Tal faz de conta é muito bem elaborado pelos jovens, contando com cenários como o Mar Mais Negro e os Morros Prateados, e personagens como William, o pirata, Lady Jaye e a Rainha, uma boneca feita de porcelana e -surpresa- ossos.
O pai de Zach, querendo que o moço "cresça", deixa-o sem escolha quando joga seus brinquedos fora, fazendo com que Zach abandone a brincadeira sem poder explicar para Alice e Poppy o verdadeiro motivo por trás disso.
Mas a brincadeira não para por aí; Poppy e Alice aparecem na casa de Zach na madrugada de uma sexta feira, carregando a boneca de ossos, e afirmando que a mesma abriga o espírito de Eleanor, uma garota assassinada cujos ossos e cabelo foram usados na criação da boneca por seu pai, um artista famoso. Poppy afirma saber de tudo isso por meio de Eleanor lhe contou tudo em seus sonhos. A boneca - também conhecida como Rainha - ainda diz que se eles não a enterrarem no túmulo vazio de Eleanor, a mesma não vai parar de atormentá-los.
Com tudo planejado previamente ao encontro com Zach, Poppy diz que o túmulo está em um cemitério na cidade de East Liverpool, a localização só seria revelado pela boneca mais tarde. Os três, então, partem nesta última jornada... Já sabemos que tudo dá errado e eles se encrencam muito, certo? Bem, saber o que mais acontece fica por conta de vocês.
O único ponto negativo deste livro, pra mim, é a falta do tão anunciado terror. Vejam bem, o livro é ótimo, sim. Mas... faltou algo para mim, eu realmente fui levado a acreditar que esta seria uma trama macabra e muito misteriosa (me descobri recentemente fã desse gênero), e o comentario de Jeff Kinney (Diário de um Banana) só aumentou minha ansieade para devorar esse livro; "Ninguém é mais assustador do que Holly Black. Boneca de Ossos vai fazer dormir com a luz acesa." Não fez. Fiquei esperando pelo momento onde eu me desespero e fico assustado a ponto de colocar o livro no congelador (se é que você me entende), mas quando percebi, havia acabado o livro e nada do tal momento...
Enfim, parece até que não gostei do livro, mas eu adorei, sério! Muito bem escrito (pontos para Holly), com algumas ilustrações lindas de se ver (pontos para Eliza Wheeler), e uma capa que eu achei maravilhosa (mais pontos para Eliza, e outros para Sonia Changhatzbanian, tenho quase certeza que errei o nome), a trama é bem desenvolvida (apesar de desprovida de terror, o que eu aguardava muito), e possui, sim, um quê de mistério. Além de tratar, em segundo plano, de assuntos delicados, como crescer e mudar; virar "adulto", mudar os gostos, mudar a personalidade, se afastar de amigos que antes eram indispensáveis (confesso até que, ao ler algumas partes, lembrei de amigos com quem não tenho mais contato). Foi eleito até O Melhor Livro Para Adolescentes pela Medalha Newbery Honor.
Resta descobrir se a boneca realmente abriga o espírito de Eleonor, ou se foi tudo parte de um plano arquitetado por Poppy, afim de impedir que seus amigos se afastassem dela...

domingo, 17 de janeiro de 2016

[Resenha] Febre de bola - Nick Hornby


  Acho que não é novidade para ninguém o fato de eu adorar futebol e eu sempre estou procurando livros sobre o assunto, mas normalmente me decepciono. Isso é algo que não aconteceu nesse livro. 
  Provavelmente, muitos vão ler e não vão entender os sentimentos que o autor consegue passar para aqueles que são apaixonados por futebol. Algo que o autor é e algo que eu sou também. Os sentimentos de raiva, decepção e desespero, que só um torcedor que ama muito seu time consegue sentir, são recriados na construção desse livro. E confesso que me emocionei em muitos capítulos e simplesmente tive que dar uma pausa, pois era demais.
     O livro é escrito em forma de contos, esses contos tem como título os jogos em que o autor assistiu nesse dia. Eu achei fantástico o fato de tudo estar interligado com os times que o autor torce. Toda a história da vida dele foi contada, desde o seu primeiro jogo como torcedor do Arsenal, sempre fazendo comparações de sua vida com o momento em que seus times estavam.
    Recomendo para todos os amantes de futebol e também para aqueles que têm curiosidade em conhecer a mente de um torcedor fanático que deixa a vida girar em torno do futebol. 
 Ps: Como torcedora do Real Madrid, fico triste em perceber que não achei nenhum livro escrito por um madridista ainda. Por isso, se alguém souber de algum livro que se encaixe nesse perfil, por favor, me diga. 
  Abaixo deixo com vocês uma pequena parte do meu conto preferido:

sábado, 16 de janeiro de 2016

Psicose - Robert Bloch

Psicose (1959) de Robert Bloch (1917-1994) tem como núcleo de personagens, aparentemente(spoiler), Norman Bates e sua mãe, ambos desequilibrados, mentalmente e que vivem juntos em uma casa aos fundos do Bates' Motel do qual como o nome já faz alusão são proprietários,  os dois possuem uma relação doentia na qual a mãe controladora nunca permitiu o relacionamento do filho com outras mulheres, e que ao longo do livro vão sendo revelados fatos do passado que vão esclarecendo a história.
Um dia uma mulher, Mary Crane, hospede-se no Bates’ motel, estando esta em fuga após ter roubado 40 000 dólares do local onde trabalhava, para ajudar ao namorado a pagar suas dívidas, Norman reparando na beleza de Mary e como forma de desafiar sua “mãe”(spoiler) a convida para cear na cozinha de sua casa, isso serve de gatilho para desencadear um episódio maníaco que termina no assassinato de Mary, esse fato leva a uma série se complicações pois Lila, irmã da mesma, Sam o namorado a qual está ia ao encontro,  o investigador Arbogast tentam descobrir o paradeiro de Mary.
 A obra é fascinante, em especial a complexidade do distúrbio mental do personagem Norman Bates, onde em um final desconcertante é revelado ao leitor a realidade do desenrolar dos fatos ao longo da obra que fica oculto ao leitor, devido a brilhante construção do enredo por Bloch. 
O livro foi adaptado ao cinema por Alfred Hitchcock e lançado no ano de 1960,  sendo considerado um dos melhores trabalhos do diretor, além de figurar entre os melhores filmes de todos os tempos segundo críticos. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

[Resenha] A 5ª Onda, de Rick Yancey


Como prometido num post anterior sobre a adaptação cinematográfica, hoje estou trazendo  a resenha do livro A 5ª Onda, de Rick Yancey. 

Sem mais delongas, o livro trata de um mundo que se encontra num estado semelhante ao pós-acpocalítptico. A terra está sendo invadida por extraterrestres, bem diferentes desses que você acabou de pensar. Sério. Pode ir esquecendo esses seres deformados, estranhos, com antenas, mil olhos, partes animais,  pele verde e que podem ser meramente derrotados por água (indireta aqui) que se vê nos típicos filmes do gênero. Seja lá o que você imaginou sobre as características físicas dele, está errado. Os seres criados por Yancey são completamente diferentes de qualquer coisa que tem por aí, pelo menos eu nunca vi nada igual. 
Bom, talvez nem tão diferentes assim. Uma coisa sobre eles você provavelmente imaginou certo: são extremamente inteligentes. Para livrar completamente a terra de qualquer ser humano afim de tomá-la, eles elaboraram ataques geniais. Ondas:
A 1ª Onda: Apagam-se as luzes.
A 2ª Onda: Começa a arrebentação. 
A 3ª Onda: Pestilência.
A 4ª Onda: Silenciador.
A 5ª Onda: ...
Quando a gigantesca nave surgiu no céu, os humanos foram ingênuos o suficiente para achar que eles eram amigáveis. O pai de Cassie Sullivan era um deles, ela não. E ela estava certa. No 11º dia após a aproximação deles, um PEM, Pulso Eletromagnético atingiu a terra, e, para quem não sabe o que é, tal pulso é, citando o Wikipédia, "capaz de destuir equipamentos microeletrônicos sólidos, como computadores e meios de comunicação". Ou seja, esse pulso privou os humanos de qualquer equipamento eletrônico; celulares, carros, até aviões, que caíram todos ao mesmo tempo quando o PEM atingiu a terra, além de ser responsável por derrubar toda a rede elétrica mundial, deixando todos na escuridão, matando cerca de meio bilhão de pessoas. Esse ataque ficou conhecido como A Primeira Onda.
"A 1ª Onda levou meio milhão de pessoas. A 2ª Onda fez esse número parecer uma piada." - Cassie, Página 39.
Uma grande parte da população que sobreviveu à onda anterior morreu durante a segunda onda. Os "Outros" provocaram terremotos de magnitudes altíssimas, que, ao atingir as placas tectônicas que circundavam os continentes, deram origem às super ondas chamadas de tsunamis. Acontece que 40% da população se encontrava a uma distância de 90 quilômetros do litoral. 3 bilhões de pessoas. Mortas em questão de horas.
"A 1ª Onda terminou em segundos. A 2ª Onda durou um pouco mais. Cerca de um dia. A 3ª Onda? Essa durou ainda mais: 12 semanas. Doze semanas para matar... bem, papai calculou que 97% dos desafortunados sobreviveram às duas primeiras." - Cassie, Página 39.
A Terceira Onda veio para levar os que tiveram azar o suficiente para sobreviver à Segunda Onda. Os Outros liberaram na terra um vírus mortal que, de acordo com o pai de Cassie, era uma versão alterada e mais mortal do ébola. 
"O vírus se instala nos pulmões, provoca uma tosse persistente, febre, dores de cabeça. Uma dor muito forte. Você começa a cuspir gotículas de sangue repletas de vírus. O “micróbio” entra no fígado, nos rins, no cérebro. Agora eles já são bilhões dentro de você. Você se tornou uma bomba viral. E, quando explodir, vai atingir todos ao seu redor com o vírus, Eles chamam isso de dessangramento. Como ratos que fogem de um navio prestes a afundar, o vírus é expelido por todos os orifícios, A boca, o nariz, os ouvidos, o ânus, até os olhos. Você chora lágrimas de sangue, literalmente." - Cassie, Página 40.
Os poucos que sobreviveram a essa onda por possuir imunidade natural às doenças foram tolos o suficiente para achar que tudo estava acabado. "Talvez isso seja tudo, pessoal! Eles vão embora e nós só temos que limpar tudo e recomeçar!" Errado. Foi aí que A Quarta Onda atingiu. Silenciadores. Talvez o ataque mais genial de todos até então. Outros assumiram a identidade de humanos e começaram a caçá-los. Os humanos não tinham mais em quem confiar. Qualquer um podia ser um deles. Qualquer um podia matar qualquer um. O mundo agora seguia o famoso lema "Atire primeiro e pergunte depois". 
"Como livrar a terra de 7 bilhões de humanos? Tire a humanidade deles"
Agora, numa busca incansável por seu irmãozinho, Sammy, Cassie tem que sobreviver à Quarta Onda enquanto espera pela Quinta, que pode cair sobre ela a qualquer momento. No caminho ela encontra Evan, um jovem por quem ela imediatamente se sente atraída, mas também é atormentada pelo fato de não saber se pode ou não confiar nele. Os dois logo se apaixonam, mas ele insiste em manter um lado sombrio e misterioso, enquanto ela continua na dúvida sobre quem ele realmente é. Mas como podemos sobreviver, se as únicas pessoas com quem podemos contar não são confiáveis?
A escrita é ao mesmo tempo deliciosa e tensa. Cada página é ainda mais atraente que a anterior. A ansiedade dos personagens é transmitida ao leitor,  que se vê tão angustiado quanto aqueles que procuram sobreviver enquanto vivem de maneira precária, lutando uns contra os outros,  sem saber quando A Quinta Onda chegará ou como ela será. A única certeza de Cassie (não de Cassidy, nem de Cassandra, mas de Cassiopeia) é que ela virá um dia. E talvez ela seja a que vai, finalmente, eliminar os últimos humanos que lutam desesperadamente para sobreviver.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

[Resenha] O livro do cemitério - Neil Gaiman

                                         
      Eu já tinha visto alguns comentários sobre os livros do Neil Gaiman por aí, mas nunca tinha tido a oportunidade de conferir seus livros, Mas então, ganhei esse livro de natal e já coloquei ele na frente da minha lista de leituras. Devo dizer que foi a melhor decisão que eu já fiz, o livro flui de uma maneira tranquila mas, ao mesmo tempo, te deixa super curioso para saber o que vai acontecer em seguida. Tudo isso de uma forma muito bem trabalhada, com direito até a ilustrações de vez em quando(como essa abaixo).
 
    O livro conta a história de Nin Owens, um garotinho que teve sua família assassinada mas que conseguiu fugir antes de ter o mesmo fim de seus familiares. Ele acaba indo para no cemitério, onde os espíritos dos que moram lá aceitam protegê-lo. Uma vez que, o assassino ainda procura o bebê para terminar o trabalho que lhe foi designado.
   Um fato que me preocupou no início foi a passagem de tempo, que eu achei que seria lenta, mas logo percebi que seguia um bom ritmo. Outro ponto positivo foram os personagens secundários, principalmente o Silas e a srta.Lupescu, meus personagens preferidos.
   Mas o que eu achei fantástico mesmo foi o final, eu sinceramente não me lembro de ter lido um livro com um final tão perfeito. O livro não terminou de forma abrupta e conseguiu deixar o personagem principal com sua história em aberto, mas sem deixar de concluir a trama apresentada no início do livro.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

[Resenha] Caixa De Pássaros - Não Abra Os Olhos, de Josh Malerman


Quero deixar logo bem claro aqui que as palavras que eu quero realmente usar para descrever este livro são um pouco 'fortes', 'obscenas'... Enfim, palavrões. Terminei de ler esta obra prima às 5:38 da manhã, e, juro por tudo nesse mundo, quando finalmente acabei, tremi. Literalmente, minhas mãos ficaram tremendo. É simplesmente ~palavra imprópria~ demais. Demais. É do ~palavra imprópria~.


E como eu me encontrei com esta belezinha? Estava eu, sem nada pra fazer da vida (como sempre), quando me dei de cara com um sorteio da Intrínseca (gente, intrínseca arrasa demais), o sorteio era justamente de dois (acho) volumes de Caixa de Pássaros. Li o resuminho, observei a capa e BAM!, foi logo aquela reação química no cérebro que todos insistem em chamar de amor. Acontece, caros leitores, que não consegui participar, adivinhem só, o site dava erro e não me confirmava como participante. Isso foi em (acho) Janeiro ou Fevereiro, e, desde então, mergulhei numa busca obsessiva atrás desta beleza de produção, até que achei ele na bienal, esperando por mim <3.


Eu acabei de ler tem alguns minutos e já vim escrever o primeiro rascunho da resenha, simplesmente não dá pra esperar. E lá vou eu, tentando não dar spoiler(s). Pelo menos não muitos. Como se eu fosse conseguir. Ha ha.

A trama criada por Malerman, muito aclamada pela crítica especializada do gênero terror, e que lhe rendeu o prêmio do Michigan Notable Book Award e uma indicação ao Bram Stoker Award For Best First Novel, trata de um mundo pós-apocalíptico abalado completamente por uma ameaça invisível. Invisível? Como assim, Jay? Calma, já vou explicar. Aqui entra um aviso de possíveis spoilers.

Achei bem semelhante com The Walking Dead, quem leu algum dos livros ou assistiu a algum episodio talvez ache o mesmo, sem os zumbis, claro. Se este mundo fosse atormentado por 'meros' zumbis, tudo seria tão fácil. Mas não. É bem pior, acreditem. Mas, vamos lá.

A história tem como personagem principal Malorie, esta vive numa casa em situação precária com seus dois filhos. Neste cenário inicial, já se passaram uns cinco anos desde que tudo começou, e o livro se inicia com a decisão de Malorie de pegar seus filhos e abandonar a casa de vez, descendo um rio que corre por trás da casa, apesar de todos, e são muitos, perigos.

Não entenderam muito, né? Mas vão entender. Depois disso, a história volta no tempo, bem para quando tudo começou, e, neste cenário, vemos uma Malorie mais jovem, vivendo com a irmã, e grávida de um caso de uma noite. Como se não bastasse ter que lidar com a gravidez indesejada, algo (muito) estranho começa a acontecer pelo mundo: pessoas aleatórias passam a agir de maneira insana, ferindo, e até matando, outros, e depois a si mesmo. Ninguém sabe o que causa isso, ninguém sobrevive para contar como é a experiência. Ninguém. Enquanto cada vez mais casos assim surgem, descobre-se que a ÚNICA, ênfase importante aqui, coisa em comum entre todos os afetados, é que eles viram algo. Apenas isso. As pessoas logo passam a fechar os olhos, nos dois sentidos, tapando as janelas de casa com lençóis, tecidos, papelão, qualquer coisa que as proteja da visão de seja-lá-o-que-isso-for. Nada se sabe desses 'monstros' além do que a visão de um deles pode causar.

A história toda segue assim, ambos cenários sendo narrados de maneira intercalada, mostrando como Malorie sobrevive, como ela chega na casa que conhecemos no início, e, por fim, quais seus motivos para abandoná-la depois de tantos anos.

Deixe-me contar uma coisa que me aconteceu enquanto eu lia o livro e não pode ficar de fora desta resenha; eu estava conversando sobre uns aspectos do mesmo com a Yas (aquela, que escreve aqui também, viciada em Star Wars... Essa mesmo!), e um deles era a minha antipatia pela personagem principal. Não, não a odeio, apenas um fato importante me impediu de amá-la: a maneira que ela cria seus filhos. Simples, ela os cria desde bebês, para sobreviver. OK... Até aí, nada mal, né? Errado. Pelo menos para mim (e para Yas), seus métodos são incorretos, e até repulsivos. Desde bebês, bebês mesmo, recém-nascidos, ela os força a aprenderem a manter os olhos fechados (para citar um exeplo: quando eles choravam para serem alimentados, ela batia neles e fechava seus olhos, se estes permanecessem fechados, ela os alimentava, se não... enfim). Além disso, para ensiná-los a se manterem alertas sempre, ela os mandava até o poço atrás da casa para pegar água, vendados e completamente sozinhos e a mercê das 'criaturas' (como passam a ser dominadas posteriormente). Isso me deixou revoltado. Tudo isso, e mais, foi feito apenas com a intenção de que eles se 'aprimorassem' o suficiente para guiá-la pelo rio com sua audição aguçada e alertá-la da presença de uma das 'criaturas' ou qualquer outra coisa que representasse perigo... Claro, quem ler pode achar as ações dela justificáveis, mas eu não achei, e isso tornou a minha leitura um pouco desconfortável em alguns momentos. Mas, no final, tudo se juntou e eu até que compreendi a personagem. OK, essa parte ficou bem bipolar, mas é assim mesmo, o livro provoca isso no leitor, essa mistura insana de emoções que variam e se alteram sem aviso.

Retornando ao ponto inicial, enquanto explicava o descrito acima para a Yas, eu disse: "A mulher de caixa de padaria é uma presuma mãe" sabe quando o corretor troca as palavras? Então... Eu corrigi depois as palavras erradas, pássaros e péssima, mas Yas achou que ambas eram para corrigir presuma, ou seja, ela achou que eu estava mesmo falando de uma mulher do caixa de uma padaria. Enquanto eu narrava as ações de Malorie para com as crianças, ela ficava cada vez mas aterrorizada, e eu sem perceber, continuei. Obviamente, algum tempo depois, tudo se esclareceu, e ela até disse que já estava pensando em denunciar a tal mulher que nem sequer existe. Pois é. Eu ri bastante, ela riu bastante, foi uma noite maravilhosa (agora 'moça da padaria' já é piada interna).

Mas, sobre o livro; não me resta muito para falar aqui. Sei que ficou parecendo que eu não gostei muito, mas acreditem, eu amei, nenhum livro é perfeito, mas, para mim, este chegou bem perto. A narrativa intensa (onde a principal preocupação do autor é retratar o estado psicológico, e não o físico) combinada com o suspense eterno da obra criam uma sensação de inquietação que não passa nem quando você termina de ler (algo bem parecido com o que senti lendo The Walking Dead). Sempre que você lê uma página, você já se pergunta 'O que vai acontecer? Será que aquele personagem vai morrer agora? E aquele ali vai conseguir fugir no final? E Malorie? Para onde ela está fugindo? Ela vai conseguir chegar lá? E se chegar, o que vai encontrar?'. Um questionamento puxa o outro, e, antes que você perceba, já chegou na última página e tá tremendo, murmurando para si mesmo que nunca leu um livro tão ~palavra imprópria~.

O livro, lançado em 2014 no Reino Unido, e, eventualmente, no mundo todo, foi publicado em Janeiro desse ano pela intrínseca (<3), e rendeu ao autor, Malerman, comparações com Stephen King e Jonathan Carroll. O autor já disse não se opor a escrever uma continuação, mas que não pretende escrever agora, e talvez nunca a escreva (mas eu vou me iludir, pode apostar que vou). Os direitos para filme foram vendidos (</3) logo em 2013 para a Universal Studios antes mesmo do lançamento do livro, e ,conta com Andy Muschietti (Mama) na direção, e Chris Morgan (Franquia Velozes e Furiosos) e Scott Stuber (Amor E Outras Drogas, Battleship, Ted e Ted 2) na produção. Ainda sem nenhuma previsão para lançamento, e não vai ser nem tão cedo. Resta aguardar e se preparar para a decepção o que vier.

 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Resenha: Eleanor & Park - Rainbow Rowell


              Meu gosto por romances está muito mais crítico agora, então, quando eu gosto de algum, é porque vale a pena mesmo. Eu fiquei meses esperando a oportunidade de comprar esse livro e eu nem tinha tanto motivo para querê-lo tanto. Isso porque eu só li um quote do livro e não li nem mesmo a sinopse antes de comprar.
               O livro conta a história de Eleanor, uma ruiva gordinha e esquisita que é novata no colégio e tem dificuldade de se enturmar, e de Park (isso é meio óbvio haha), um asiático mestiço que adora HQ's e música. O dois começam a se relacionar quando Park deixa ela sentar do seu lado no ônibus, de maneira bem grossa, mas, aos poucos, vai conquistando a amizade de Eleanor de um jeito muito fofo.
              Para ser sincera, assim que comecei a ler, achei que tinha cometido um erro ao comprar o livro, pois pensei que seria um daqueles romances adolescentes bobinhos. Mas estava errada, a história de Eleanor não é um mar de rosas e isso dá um toque a mais ao livro. Além disso, achei o Park um amor, algo que dificilmente acontece quando leio romances.
             Gostei bastante dos personagens, até alguns que eu achava que seguiriam o padrão de histórias de High School e acabaram sendo diferentes do que eu esperava. O ponto negativo do livro é o finalzinho, que a autora deixou em aberto, algo que eu não aprecio. Mas é um ótimo livro para quem gosta de romances que sejam um pouco diferentes do que o esperado. Além disso, achei a capa adorável e adorei os detalhes que tem no interior dela.
              Aliás, na capa tem um comentário do John Green que eu achei perfeito:
    "Eleanor & Park me lembrou não apenas de como é ser jovem e apaixonado por uma garota, mas também de como é ser jovem e apaixonado por um livro."

Ps: Eu vi boatos de que vão fazer um filme do livro, então esperarei pelo melhor. Ou seja, espero que sejam apenas boatos. Se bem que estou curiosa para ver quem daria vida ao Park, mas continuo querendo evitar más experiências.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Resenha: O Circo da Noite


"Abre ao cair da noite
 Fecha ao amanhecer."

É tudo que diz o cartaz sobre um circo que apenas não estava lá ontem e hoje está, sem comerciais ou aviso que iria chegar. Le Cirque des Rêves, O Circo da Noite, guarda dentro de suas tendas atrações inimagináveis, diferente de tudo que já se viu.

Delicie-se com os sabores e aromas dentro das tendas de listras pretas e brancas, encante-se com as atrações diversas, a contorcionista tatuada, os trapezistas. E dentre encantamentos circenses há uma competição acontecendo nesse mundo mágico. Dois aprendizes de magos duelam em nome de seus egocentricos mentores, Próspero, o Mágico e o homem de terno cinza, que se permite chamar Alexander.

A cada país visitado uma nova tenda é adicionada por um dos jovens magos, Celia e Marco, tornando o desafio cada vez mais complexo, intrigante e bonito visualmente, afinal estamos falando de um circo. Como termina a competição é um mistério até para os competidores.

O sabor do livro está na expectativa; o que acontecerá com os jovens feiticeiros; como termina o desafio. O amor demonstrado pela trupe com o Circo é muito bem construído, o que nos faz amá-lo também. Interessante como julgar esse livro pela capa maravilhosamente trabalhada pela Intrínseca (como deve ficar bonito na estante, pensei) me rendeu meu livro preferido.

É o tipo de livro que se apaixona muito rapidamente ou que não se gosta nem um pouco, sem meio termo. Não há muita ação e o romance é leve, embora seja, às vezes, bem explorado. O fato de não haver continuação é um alívio e uma tristeza; tristeza pois me apeguei muito aos personagens tão independentes e fortes, sem romances possessivos; alívio pois continuações de livros perfeitos tendem a elevar expectativas e a não atende-las bem.

A autora, Erin Morgenstern, nos dá exatamente o necessário. Não há sobras de drama ou romance, a história permanece interessante do começo ao fim. Apaixonante, mágica, com aromas deliciosos e imagens deslumbrantes. Nosso amor pelo Circo cresce junto ao seu esplendor. Somos colocados dentro dele e não queremos mais sair, hipnotizados com sua simplicidade e genialidade. Porém, o cartaz é bem claro:

                                                      "Abre ao cair da noite
                                                       Fecha ao amanhecer."





quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Xangô de Baker Street - Jô Soares

OLÁ OLÁ!!! Aqui é Thiago Rocha, novo membro dessa equipe linda. Vou dar meu melhor para apresentar do que conheço do mundo geek, seja de filmes, séries ou livros. Também pretendo trazer, quando pertinente, o que foi comentado na internet, como vídeos ou o que surgir.

Enfim, essa publicação além de ser a minha primeira é sobre O Xangô de Baker Street. Espero que gostem e um feedback é sempre construtivo.


Violino, orelhas, dançarina, Brasil, Sherlock Holmes. Essas palavras que parecem ter sido aleatórias são chaves para um enigma construído por Jô Soares, sua obra é bem diferenciada de outras histórias de mistério e essa é uma das principais características. O suspense está entrelaçado um humor nem um pouco ofensivo e que traz muitas peculiaridades do século XIX.

Sarah Bernhardt foi uma famosa atriz francesa, também dançarina e cantora, e está fazendo uma tourner nas terras tupiniquins e foi recebida por ninguém menos que Dom Pedro II, o Imperador do Brasil. Já que nosso antigo regente foi um grande admirador de artes em geral comenta com ela sobre a perda de uma grande amiga, um violino Stradivarius, por reconhecer o valor desse instrumento Sarah decide intervir chamando o melhor detetive de Londres, cujo nome já está marcado em nossas mentes, por séries, livros ou filmes. Na mesma época um maníaco surge e tem um hábito estranho, decepar orelhas e colocar cordas de violino em suas vítimas, claro que não podia ser coincidência. AVISO: Você irá suspeitar de todos, todos, e mesmo assim vai errar o culpado, pelo menos foi o que aconteceu comigo.

A obra é um grande pastiche, já que agrega o estilo de um livro já conhecido, Sherlock Holmes, mas reestrutura com novos significados para o detetive e tradições típicas brasileiras, como a caipirinha ou religiões de matriz africana. Que miscigenação bonita é a junção de Londres com o Rio de Janeiro, quem diria o grande detetive se apaixonar por uma atriz brasileira ou Watson, assistente, encontrar com a Pomba Gira? Jô Soares consegue conquistar qualquer tipo de leitor com esse livro, por isso está de parabéns.
Thiago M. Rocha

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