quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

[Resenha] Caixa De Pássaros - Não Abra Os Olhos, de Josh Malerman


Quero deixar logo bem claro aqui que as palavras que eu quero realmente usar para descrever este livro são um pouco 'fortes', 'obscenas'... Enfim, palavrões. Terminei de ler esta obra prima às 5:38 da manhã, e, juro por tudo nesse mundo, quando finalmente acabei, tremi. Literalmente, minhas mãos ficaram tremendo. É simplesmente ~palavra imprópria~ demais. Demais. É do ~palavra imprópria~.


E como eu me encontrei com esta belezinha? Estava eu, sem nada pra fazer da vida (como sempre), quando me dei de cara com um sorteio da Intrínseca (gente, intrínseca arrasa demais), o sorteio era justamente de dois (acho) volumes de Caixa de Pássaros. Li o resuminho, observei a capa e BAM!, foi logo aquela reação química no cérebro que todos insistem em chamar de amor. Acontece, caros leitores, que não consegui participar, adivinhem só, o site dava erro e não me confirmava como participante. Isso foi em (acho) Janeiro ou Fevereiro, e, desde então, mergulhei numa busca obsessiva atrás desta beleza de produção, até que achei ele na bienal, esperando por mim <3.


Eu acabei de ler tem alguns minutos e já vim escrever o primeiro rascunho da resenha, simplesmente não dá pra esperar. E lá vou eu, tentando não dar spoiler(s). Pelo menos não muitos. Como se eu fosse conseguir. Ha ha.

A trama criada por Malerman, muito aclamada pela crítica especializada do gênero terror, e que lhe rendeu o prêmio do Michigan Notable Book Award e uma indicação ao Bram Stoker Award For Best First Novel, trata de um mundo pós-apocalíptico abalado completamente por uma ameaça invisível. Invisível? Como assim, Jay? Calma, já vou explicar. Aqui entra um aviso de possíveis spoilers.

Achei bem semelhante com The Walking Dead, quem leu algum dos livros ou assistiu a algum episodio talvez ache o mesmo, sem os zumbis, claro. Se este mundo fosse atormentado por 'meros' zumbis, tudo seria tão fácil. Mas não. É bem pior, acreditem. Mas, vamos lá.

A história tem como personagem principal Malorie, esta vive numa casa em situação precária com seus dois filhos. Neste cenário inicial, já se passaram uns cinco anos desde que tudo começou, e o livro se inicia com a decisão de Malorie de pegar seus filhos e abandonar a casa de vez, descendo um rio que corre por trás da casa, apesar de todos, e são muitos, perigos.

Não entenderam muito, né? Mas vão entender. Depois disso, a história volta no tempo, bem para quando tudo começou, e, neste cenário, vemos uma Malorie mais jovem, vivendo com a irmã, e grávida de um caso de uma noite. Como se não bastasse ter que lidar com a gravidez indesejada, algo (muito) estranho começa a acontecer pelo mundo: pessoas aleatórias passam a agir de maneira insana, ferindo, e até matando, outros, e depois a si mesmo. Ninguém sabe o que causa isso, ninguém sobrevive para contar como é a experiência. Ninguém. Enquanto cada vez mais casos assim surgem, descobre-se que a ÚNICA, ênfase importante aqui, coisa em comum entre todos os afetados, é que eles viram algo. Apenas isso. As pessoas logo passam a fechar os olhos, nos dois sentidos, tapando as janelas de casa com lençóis, tecidos, papelão, qualquer coisa que as proteja da visão de seja-lá-o-que-isso-for. Nada se sabe desses 'monstros' além do que a visão de um deles pode causar.

A história toda segue assim, ambos cenários sendo narrados de maneira intercalada, mostrando como Malorie sobrevive, como ela chega na casa que conhecemos no início, e, por fim, quais seus motivos para abandoná-la depois de tantos anos.

Deixe-me contar uma coisa que me aconteceu enquanto eu lia o livro e não pode ficar de fora desta resenha; eu estava conversando sobre uns aspectos do mesmo com a Yas (aquela, que escreve aqui também, viciada em Star Wars... Essa mesmo!), e um deles era a minha antipatia pela personagem principal. Não, não a odeio, apenas um fato importante me impediu de amá-la: a maneira que ela cria seus filhos. Simples, ela os cria desde bebês, para sobreviver. OK... Até aí, nada mal, né? Errado. Pelo menos para mim (e para Yas), seus métodos são incorretos, e até repulsivos. Desde bebês, bebês mesmo, recém-nascidos, ela os força a aprenderem a manter os olhos fechados (para citar um exeplo: quando eles choravam para serem alimentados, ela batia neles e fechava seus olhos, se estes permanecessem fechados, ela os alimentava, se não... enfim). Além disso, para ensiná-los a se manterem alertas sempre, ela os mandava até o poço atrás da casa para pegar água, vendados e completamente sozinhos e a mercê das 'criaturas' (como passam a ser dominadas posteriormente). Isso me deixou revoltado. Tudo isso, e mais, foi feito apenas com a intenção de que eles se 'aprimorassem' o suficiente para guiá-la pelo rio com sua audição aguçada e alertá-la da presença de uma das 'criaturas' ou qualquer outra coisa que representasse perigo... Claro, quem ler pode achar as ações dela justificáveis, mas eu não achei, e isso tornou a minha leitura um pouco desconfortável em alguns momentos. Mas, no final, tudo se juntou e eu até que compreendi a personagem. OK, essa parte ficou bem bipolar, mas é assim mesmo, o livro provoca isso no leitor, essa mistura insana de emoções que variam e se alteram sem aviso.

Retornando ao ponto inicial, enquanto explicava o descrito acima para a Yas, eu disse: "A mulher de caixa de padaria é uma presuma mãe" sabe quando o corretor troca as palavras? Então... Eu corrigi depois as palavras erradas, pássaros e péssima, mas Yas achou que ambas eram para corrigir presuma, ou seja, ela achou que eu estava mesmo falando de uma mulher do caixa de uma padaria. Enquanto eu narrava as ações de Malorie para com as crianças, ela ficava cada vez mas aterrorizada, e eu sem perceber, continuei. Obviamente, algum tempo depois, tudo se esclareceu, e ela até disse que já estava pensando em denunciar a tal mulher que nem sequer existe. Pois é. Eu ri bastante, ela riu bastante, foi uma noite maravilhosa (agora 'moça da padaria' já é piada interna).

Mas, sobre o livro; não me resta muito para falar aqui. Sei que ficou parecendo que eu não gostei muito, mas acreditem, eu amei, nenhum livro é perfeito, mas, para mim, este chegou bem perto. A narrativa intensa (onde a principal preocupação do autor é retratar o estado psicológico, e não o físico) combinada com o suspense eterno da obra criam uma sensação de inquietação que não passa nem quando você termina de ler (algo bem parecido com o que senti lendo The Walking Dead). Sempre que você lê uma página, você já se pergunta 'O que vai acontecer? Será que aquele personagem vai morrer agora? E aquele ali vai conseguir fugir no final? E Malorie? Para onde ela está fugindo? Ela vai conseguir chegar lá? E se chegar, o que vai encontrar?'. Um questionamento puxa o outro, e, antes que você perceba, já chegou na última página e tá tremendo, murmurando para si mesmo que nunca leu um livro tão ~palavra imprópria~.

O livro, lançado em 2014 no Reino Unido, e, eventualmente, no mundo todo, foi publicado em Janeiro desse ano pela intrínseca (<3), e rendeu ao autor, Malerman, comparações com Stephen King e Jonathan Carroll. O autor já disse não se opor a escrever uma continuação, mas que não pretende escrever agora, e talvez nunca a escreva (mas eu vou me iludir, pode apostar que vou). Os direitos para filme foram vendidos (</3) logo em 2013 para a Universal Studios antes mesmo do lançamento do livro, e ,conta com Andy Muschietti (Mama) na direção, e Chris Morgan (Franquia Velozes e Furiosos) e Scott Stuber (Amor E Outras Drogas, Battleship, Ted e Ted 2) na produção. Ainda sem nenhuma previsão para lançamento, e não vai ser nem tão cedo. Resta aguardar e se preparar para a decepção o que vier.

 

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